ANTES TARDE DO QUE mais tarde que isso (impossível já que a data era 6 e agora é 11), FALEMOS DE NÃO SE CALAR MESMO SENDO SOFRIDA, FALEMOS DE FRIDA KAHLO

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O MUNDO EXISTE AINDA PARA CELEBRAR OS 110 ANOS DE NASCIMENTO DE UMA DEUSA DE SEU TEMPO E DE UMA DIVA PARA TODAS AS GERAÇÕES QUE A PROCEDEM OU PREDECEM SEI LÁ QUERO DIZER QUE TODOS DEVERIAM SE INSPIRAR NELA PARA A VIDA. Curiosidade sobre ela: morreu no mesmo mês em que nasceu (nasceu no melhor mês, mês em que nasci, também e que nasceu o Patrick Modiano – no mesmo dia que eu o modianinho, 30, quero presentes) com apenas 47 anos. Sua memória vive e até hoje serve de inspiração por sua subjetiva objetividade artística e por sua expressão e estilo surrealista da realidade, sem uma realidade da surrealidade, já que a própria não se considerava surrealista por pintar seu mundo real. Leiam este trecho retirado de um diário dela e tirem suas conclusões sobre a pessoa da arte literária em imagens que ela era.

O meu pai teve, durante muitos anos, uma caixa com tintas e pincéis

                                         dentro de uma jarra antiga e uma paleta a um canto do seu estúdio

                                         fotográfico. Ele gostava de pintar e de desenhar paisagens em

                                         Coyoacán junto ao rio e por vezes copiava cromolitografias (figuras

                                         obtidas pelo processo de gravura em plano). Desde pequenina, como

                                         diz o ditado, eu não tirava os olhos daquela caixa de tintas. Não sabia

                                         explicar por que. Como ia estar presa a uma cama durante tanto

                                         tempo, aproveitei a oportunidade para pedir a caixa a meu pai.

                                         (KETTENMANN, 1994, p.18).

MELHOR DIAGRAMAÇÃO SEMPRE. SOU DESIGNER 6 NÃO SABEM?

11 de fevereiro de 1954 – Há seis meses amputaram-me a perna.

Torturaram-me durante séculos e em alguns momentos quase

enlouqueci. Continuo a sentir vontade de me suicidar. Diego é quem

me impede despertando em mim a vaidade de pensar que posso

fazer falta. Ele disse, e eu creio nele. Mas nunca sofri tanto na vida.

Esperarei algum tempo. (KAHLO, 1995, p.144).

Deveria ter uns 6 anos quando vivi intensamente uma amizade

imaginária com uma menina de mais ou menos a mesma idade

minha. […] Sobre um dos primeiros  vidros da janela fazia um vapor

com a boca e com o dedo desenhava uma “porta”, saia em

imaginação com grande alegria. Atravessava todo plano que se via

até chegar a uma leiteria chamada PINZÓN … Por lá “o” de PINZÓN

se transformava em porta, eu entrava e descia impetuosamente ao

interior da terra, onde “minha amiga imaginária” me esperava sempre.

Não recordo sua imagem nem sua cor. Mas que era alegre, se ria

muito, sem som. Era ágil e bailava como se não tivesse peso algum.

Eu a seguia em todos os movimentos e lhe contava, enquanto ela

bailava meus problemas secretos. Quais? Não recordo. Mas ela sabia

por minha voz todas as coisas. Quando já regressava à janela,

entrava pela mesma porta desenhada no vidro. Quando? Por quanto

tempo havia estado com ela? Não sei, pode ser um segundo ou mil

anos… Eu era feliz, desenhava a “porta” com a mão e “desaparecia”.

Corria com meu segredo e minha alegria até o último canto do pátio

de minha casa e sempre no mesmo lugar, debaixo de uma árvore de

cedro, gritava e ria assombrada de estar só com minha grande

felicidade e a recordação tão viva da menina. Já se passaram 34

anos, que vivi esta amizade mágica e cada vez que a recordo se

aviva e cresce mais e mais dentro de meu mundo. (HERRERA, 1984,

p.26).

AGORA UM POEMA DELA:

Diego, princípio.
Diego, construtor.
Diego, meu bebê.
Diego, meu noivo.
Diego, pintor.
Diego, meu amante.
Diego, meu marido.
Diego, meu amigo.
Diego, meu pai.
Diego, minha mãe.
Diego, meu filho.
Diego, eu.
Diego, universo.
Diversidade na unidade.
Por que é que lhe chamo Meu Diego?
Ele nunca foi e nem será meu.
Ele pertence a si próprio.

“Se apenas eu tivesse as suas carícias em mim,

como o ar que toca a terra – a realidade da sua

 pessoa, fazer-me-ia mais feliz, levar-me-ia para

 longe do sentimento que me enche de cinzento.

Nada em mim seria tão profundo, tão final.

Mas, como lhe explico a minha necessidade

enorme de ternura! A minha solidão de anos.

A minha estrutura deformada devido

à sua carência de harmonia, a sua inaptidão

.Eu penso que seria melhor partir, partir e não fugir.

                 Que tudo terminasse num instante. Oxalá.”

“Por que você estuda tanto? Que segredos procura? A vida logo os revelará a você. Eu já sei t  udo, sem ler nem escrever. Faz pouco, talvez alguns dias, era menina que andava por um mundo de cores, de formas precisas e tangíveis. Tudo era misterioso e algo se ocultava; a adivinhação da natureza disso constituía um jogo para mim. Se você soubesse como é terrível alcançar o conhecimento de repente, como se um raio elucidasse a Terra! Agora habito um planeta doloroso, transparente como o gelo. É como se eu tivesse aprendido tudo ao mesmo tempo, em questão de segundos. Minhas amigas e colegas transformaram-se lentamente em mulheres. Eu envelheci em alguns instantes, e agora tudo é insípido e raso. Sei que não há nada por trás; se houvesse, eu o veria…”

“Cidade do México, 12 de setembro de 1939

Minha noite é como um grande coração batendo. São três e meia da madrugada. Minha noite é sem lua. Minha noite tem olhos grandes que olham fixamente uma luz cinzenta filtrar-se pelas janelas. Minha noite chora e o travesseiro fica úmido e frio. Minha noite é longa, muito longa, e parece estender-se a um fim incerto. Minha noite me precipita na ausência sua. Eu o procuro, procuro seu corpo imenso ao meu lado, sua respiração, seu cheiro. Minha noite me responde: vazio; minha noite me dá frio e solidão. Procuro um ponto de contato: a sua pele. Onde você está? Onde você está? Viro-me para todos os lados, o travesseiro úmido, meu rosto se gruda nele, meus cabelos molhados contra as minhas têmporas. Não é possível que você não esteja aqui. Minha cabeça vaga errante, meus pensamentos vão, vêm e se esfacelam. Meu corpo não pode compreender. Meu corpo quer você. Meu corpo quer esquecer-se por um momento no seu calor, meu corpo pede algumas horas de serenidade. Minha noite é um coração de estopa. Minha noite sabe que eu gostaria de olhar você, acompanhar com as minhas mãos cada curva do seu corpo, reconhecer seu rosto e acariciá-lo. Minha noite me sufoca com a falta de você. Minha noite palpita de amor, amor que eu tento represar mas que palpita na penumbra, em cada fibra minha. Minha noite quer chamar você, mas não tem voz. Mesmo assim quer chamá-lo e encontrá-lo e se aconchegar a você por um momento e esquecer esse tempo que martiriza. Meu corpo não pode compreender. Ele tem tanta necessidade de você quanto eu, talvez ele e eu, afinal formemos um só. Meu corpo tem necessidade de você, muitas vezes você quase me curou. Minha noite se esvazia até não sentir mais a carne, e o sentimento fica mais forte, mais agudo, despido da substância material. Minha noite se incendeia de amor. São quatro e meia da madrugada. Minha noite se esgota. Ela sabe muito bem que você me faz falta e toda a escuridão não basta para esconder essa evidência. Essa evidência brilha como uma lâmina no escuro. Minha noite quer ter asas para voar até onde você está, envolvê-lo no seu sono e trazê-lo até onde estou. Em seu sono você me sentiria perto e seus braços me enlaçariam sem você despertar. Minha noite não traz conselhos. Minha noite pensa em você, sonha acordada. Minha noite se entristece e se desencaminha. Minha noite acentua a minha solidão, todas as minhas solidões. O silêncio ouve apenas minhas vozes interiores. Minha noite é longa, muito longa. Minha noite teme que o dia nunca mais apareça, porém ao mesmo tempo minha noite teme seu aparecimento, porque o dia é um fio artificial em que cada hora conta em dobro e, sem você, já não é vivida de verdade. Minha noite pergunta a si mesma se meu dia não se parece com a minha noite. Isso explicaria à minha noite por que razão eu também tenho medo do dia. Minha noite tem vontade de me vestir e me jogar para fora, para ir procurar o meu homem. Minha noite o espera. Meu corpo o espera. Minha noite quer que você repouse no meu ombro e que eu repouse no seu. Minha noite quer ser voyeur do seu gozo e do meu, vervocê e me ver estremecer de prazer. Minha noite quer ver nossos olhares e ter nossos olhares cheios de desejo. Minha noite é longa, muito longa. Perde a cabeça, mas não pode afastar de mim a sua imagem, não pode fazer desaparecer o meu desejo. Ela morre por saber que você não está aqui, e me mata. Minha noite o procura sem cessar. Meu corpo não consegue conceber que algumas ruas ou uma geografia qualquer nos separe. Meu corpo enlouquece de dor por não poder reconhecer no meio da minha noite a sua silhueta ou a sua sombra. Meu corpo gostaria de beijá-lo em seu sono. Meu corpo gostaria em plena noite de dormir e, nessas trevas, ser despertado com os seus beijos. Minha noite não conhece hoje sonho mais belo e mais cruel do que esse. Minha noite grita e rasga os seus véus, minha noite se choca contra o próprio silêncio, mas meu corpo continua impossível de ser encontrado. Você me faz tanta falta, tanta. E suas palavras. E sua cor.”

MELHOR DIAGRAMAÇÃO COPIADA DE UM BLOG QUE COPIEI E VOU COLOCAR O LINK AQUI PARA FAZER JUZ NÉ: Obrigada pessoa idealizadora desse maravilhoso compêndio que estou apenas copiando para divulgação da genialidade dessa artista que todos deviam conhecer, acessem ao conteúdo original e comentado pelo “dono virtual das informações” aqui nesse textinho diferente, ok? o texto é: FridaCor&Poesia ❤ Obs (importante): no blog original de que tirei há todas (muitas mesmo) as referências para a apreciação da pessoa da Frida. Acho que vale a pena conferir sempre. Pps (MUITO + IMPORTANTE): O redator do blog colocou nas referências o link de acesso a cada conteúdo. Muitos pdfs maravilhosos, eu estou extasiada por isso sou suspeita para julgá-los. “Só sei que foi assim”, Chicó (ano desconhecido por mim). ESSA PARTE CONTINUA, MELHOR, GANHOU O PRÊMIO DE MELHOR-PIOR DIAGRAMAÇÃO… COMO FOI COPIADA CRTL C CRTL V DO BLOG ALHEIO ELE É SUBVERSIVO E NÃO ACEITA FORMATAÇÃO DE CENTRO, INFELIZMENTE FICA À DIREITA, MESMO.

 “9 de novembro de 1951

Menino-amor. Ciência exata.

vontade de continuar vivendo

alegria saudável. gratidão infinita

Olhos nas mãos e

tato no olhar. Limpeza

e maciez de fruta. Enorme

coluna vertebral que é

base para toda a estrutura

humana. Um dia veremos, um dia

aprenderemos. Há sempre coisas

novas. Sempre ligadas 

antiga existência.

Alado – Meu Diego meu

amor de milhares de anos.

Sadga. Yrenáica

Frida. 

DIEGO”

  Obrigada aos médicos

Farill – Glusker – Párres

e ao Doutor Enrique Palomera

Sanche Palomera

Obrigada às enfermeiras

aos padioleiros

aos esforçados atendentes

do Hospital Inglês –

Obrigada ao Dr. Vargas

a Navarro ao Dr. Polo

e à minha força

de vontade.

Espero alegremente

a saída – e espero

nunca mais voltar –

FRIDA”

“Meu corpo é um marasmo. E eu não posso mais escapar dele. Como o animal que sente sua morte, sinto a minha tomar lugar na minha vida e com tanta força, que me tira qualquer possibilidade de combater. Não me acreditam,tanto me viram lutar. Não ouso mais acreditar que eu poderia estar enganada, esse tipo de relâmpago está se tornando raro… As noites são longas. Cada minuto me amedronta e eu sinto dores por toda parte, por toda parte. Os outros se preocupam e eu gostaria de poupá-los disso. Mas o que é que alguém pode evitar para os outros quando a si mesmo em nada conseguiu poupar da própria sina? A aurora está sempre distante demais. Já não sei se a desejo ou se o que eu quero mesmo é penetrar mais fundo dentro da noite. Sim, talvez seja melhor acabar com tudo.” (Frida Kahlo, Ruda Jamis)

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